[#66] Porque as pessoas tiram fotos em museus?
Fica lá aquela famosa multidão lutando por uma selfie com o quadro de Da Vinci, que acaba sendo considerado até “nada de mais”, tamanha a briga por uma foto da La Gioconda.
Eu estava caminhando pelos corredores do Museu D’Orsay, em Paris, entre Monets e Renoirs. Entre o zumbido de centenas de pessoas falando ao mesmo tempo em idiomas diferentes, uma voz se destacava:
— “No Photo!”, gritavam os membros da equipe do museu.
Eles tentavam — inutilmente — impedir os visitantes de usarem seus celulares e câmeras para fotografar sem parar as obras de artes.
Então eu me peguei refletindo, entre uma pintura e outra, por que as pessoas (muitas vezes eu também) têm tanta necessidade de tirar fotos de tudo, o tempo inteiro.
Porque assim, aquelas obras de artes são lindas e é incrível poder observá-las tão de perto. Mas o que você vai fazer com uma foto do quadro? Considerando que já existe uma foto profissional na internet, muito melhor que a tirada escondida com o seu smartphone, se a sua intenção for se lembrar de como era a pintura.
Existem motivos tradicionais para proibir fotos: o fato do flash destruir obras de arte — e de que muitas pessoas não conseguem entender que sim, podem tirar as fotos, mas sim, precisam desligar o flash.
Ou a questão de copyright, porque nem sempre o museu exibindo a peça é o “dono” dela, ou seja, sua foto pode infringir leis internacionais de autoria.
Mas para mim, o que me incomoda, é quando o ato de fotografar impede o coletivo de viver uma experiência.
Por exemplo, o Museu D’Orsay não proibe fotografias de suas áreas abertas, no caso, do salão principal ou da linda janela/relógio no último andar. Mas é rigoroso contra as fotos tiradas dentro das principais galerias, principalmente exibições temporárias.
Graças a isso, eu consegui ver tudo o que queria tranquilamente, até mesmo ficar alguns minutos em frente a um quadro famoso, sem que a multidão me empurrasse.
Já no Museu Britânico, as fotos são permitidas. Resultado: impossível ver algumas das obras mais famosas daquele museu, como a Pedra Roseta, por exemplo, dada a quantidade de gente se esmagando — não para ver a pedra — mas para tirar fotos dela.
A mesma coisa acontece no Louvre, com a Mona Lisa.
Fica lá aquela famosa multidão lutando por uma selfie com o quadro de Da Vinci, que acaba sendo considerado até “nada de mais”, tamanha a briga por uma foto da La Gioconda.
Sim, vivemos numa era em que, se não fotografamos ou compartilhamos o que vivemos, parece que nem aconteceu.
Mas um estudo publicado na revista Psychological Science demonstrou um efeito curioso: pessoas que fotografaram objetos em um museu se lembravam menos deles no dia seguinte, comparadas com quem apenas observou sem clicar. É o chamado “efeito da foto como muleta”: o cérebro pode, sem querer, “desligar”, achando que a memória já está sendo salva pela câmera.
Por outro lado, uma investigação conduzida por psicólogos de instituições como NYU e Wharton também mostrou que escolher o que fotografar, por conta própria, pode fazer sua memória visual ficar mais nítida.
A grande diferença é se fotografamos com intenção, em vez de repetição automática, nosso cérebro se concentra de verdade no que está vendo.
Logo, o problema não é a foto em si, e sim o propósito por trás dela. Fotografar sem pensar é um jeito fácil de perder o que importa. E também de atrapalhar todo mundo no entorno a aproveitar o momento.
No fim das contas, a verdade é que algumas experiências não cabem numa lente. E nem toda memória precisa ser armazenada na nuvem.
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